sábado, junho 02, 2007

Devaneei.
Por entre as pequenas memórias, de capacidades esmorecidas, fiz da vizinhança etérea um recosto ensonado.
Os meus suspiros deitam-se na cama de se apagarem as luzes, e espera-se por um desconhecimento misericordioso.
É o remorso do inexpresso, obscurecido; a distância intransponível de um passo que sofre a metáfora que é o amputamento, repetidas vezes, na estilística da antemanhã que veio tingir de breu o céu solarengo.
E é enfim o cansaço.
O cansaço de convergir mal por protocolos, de fender à mundana superfície, de soar sem autoria. Perante o que é alma e beleza, mais tarde ou mais cedo, o recluso se esbarra contra as grades que precedem o tangencial, as meta-barreiras geradas pela imagem de si mesmo, a recursividade do impacto de as deixar transparecer.
Doem fracções desprezíveis neste cansaço, ele sim grande.
E em particular, dóis-me, exponencial do que afunilo face à tua presença, da minha massa toda, em quantidade, olhar após olhar, dia após dia, complexidade após complexidade. Dóis-me na altura certa, em que, perfeitamente ciente, faço o errado porém, e deixo afastar-se a rédea, contemplando abstractamente o meu momento irresolúvel. Dóis-me e dóis-me estúpidamente toda a minha estupidez espelhada em dôr.
E doer-me-ás novamente, assim o sei, meu Amor... Nenúfar púrpura espalmado em mim.
Palavras ilegítimas, bem o sei, explorador que de tanto interior se adensar pelo trilho, ainda por palmilhar, se refere agora idílico a uma verde clareira que nem sabe se o espera para lá do arvoredo.
Resignado, o corpo mental cansa-se cabisbaixo no ginásio das derrotas, e retira-se para mais uma noite de tréguas.